quarta-feira, setembro 13, 2006

Esse faz!

Todo mundo já ouviu a expressão "rouba, mas faz".
Era slogan de campanha de Adhemar de Barros (1901-1969), posteriormente associada e/ou utilizada por políticos adeptos de seu modo de governar, sobretudo Paulo Maluf.
Conheço muita gente que aprova, aceita ou se conforma com a expressão, achando lógico e normal que não possa haver ética ou honestidade no jogo político. Sobre essa questão não vou escrever agora, pois o assunto é muito mais complexo do que este espaço permite.
O fato é que nunca aceitei e duvido que um dia venha a aceitar o "rouba, mas faz" como justificativa para as ações de corruptos e sanguessugas da política.
De uns tempos para cá, já de saco cheio de escutar essa miséria verbal dos defensores de Maluf, ACM, Sarney e assemelhados, elaborei uma metáfora singela que tem perturbado os adeptos da expressãozinha sem-vergonha. Eis aí:


Você contrata uma faxineira para sua casa e percebe logo que ela faz um ótimo trabalho na limpeza. Além disso, cozinha muito bem, cuida das crianças, que adoram ela como babá, dá banho no cachorro, lava, passa e ainda faz um cafezinho delicioso, do jeito que você gosta...
Porém, como na Terra não existe paraíso, você começa a notar com o passar das semanas e meses que objetos somem da casa misteriosamente. Depois os mantimentos vão acabando mais rápido que o normal, até que pequenas somas de dinheiro principiam a sumir de sua carteira e da bolsa de sua mulher. Você desconfia da faxineira, até que um dia consegue ter certeza de que é ela a responsável pelos furtos e sumiço dos objetos de valor.
Nesse momento você tem uma decisão difícil a tomar.
Você poderia desmascarar a faxineira, chamar a polícia, espalhar para seus vizinhos e amigos o que aconteceu, para preveni-los de nunca contratarem aquela ladra.
Mas aí você pára e analisa todo trabalho que ela tem feito limpando a casa, cozinhando cuidando de seus filhos e praticamente adivinhando as melhores coisas a fazer para agradar sua família.
Por acaso você usaria o slogan do Adhemar?
- Ah coitada, ela rouba, mas faz um trabalho tão bom... vamos deixar pra lá!

Até hoje nunca encontrei alguém que concordasse com isso em relação à faxineira. A reação mais normal das pessoas é ficarem com cara de bobos, sem resposta. Alguns até arriscam um “Ah, mas aí é diferente!...”
Aparentemente algumas pessoas não se importam com o que acontece ao seu dinheiro numa escala coletiva, ou seja, os impostos e taxas diversas que pagam constantemente e quase nunca sabem aonde são aplicados. Mas quando a escala é reduzida ao ambiente familiar, ali bem perto, não admitem de forma alguma o mau procedimento de alguém que deveria trabalhar corretamente pelo salário que lhe é pago.Para concluir, aqui serve bem um outro clichê: “O que os olhos não vêem o coração não sente”.

- "Pode confiar, doutor, tenho referências!"

2 comentários:

david disse...

Rouba é ladrão mesmo.
Também não aceita o "rouba mas faz". Defendo o "roubou? vai pra cadeia".
Devagar tô aprendendo a usar as ferramentas do blogspot. Já aprendi a linkar e acabei de te linkar.

Serena disse...

Lembro perfeitamente deste senhor era prefeito em Saõ Paulo, na época da ditadura militar qdo construiu uma vila para os pobres de gesso!!!!gesso, SIM! houve inúmeras denuncias e ficou por isso mesmo...ACORDA POVO....TODOS OS DESMANDOS DOS POLÍTICOS NÓS PAGAMOS...